A alguns anos atrás, quando estava no meu décimo ano de escolaridade existia uma rapariga que me metia um pouco de confusão. Era uma rapariga que nunca sorria. Ela ria, mas eram sorrisos vagos e vazios. Tinha uma cara fechada, e muito introvertida. Eu também sou um pouco fechado e introvertido, mas eu ao menos gosto de brincar e sorrir, ela não. Tinha sempre um semblante muito pesado e triste. Não era uma pessoa com quem eu me desse muito, mas isto sempre foi algo que me deixou intrigado. Qual seria a razão? Acabei o 12 ano sem a resposta, entrei na faculdade de Ciências e nunca mais me lembrei disso. Quer dizer, nunca mais me lembrei disso até a semana passada quando a encontrei a espera do comboio na plataforma de embarque. Ela tinha crescido, estava mais mulher, um pouco mais alta… Mas infelizmente o mesmo ar triste.
Passaram cerca de cinco ou seis anos desde a última vez que a tinha visto, mas tinha na mesma aquele ar e uma “aura” depressante á sua volta. Podia ter perguntado o porquê de tamanha tristeza constante, mas não o fiz. Não fui capaz.
No dia seguinte voltei a me encontrar com ela no comboio, seria o destino a querer que eu tentasse perceber o que se passava ou que se passou para ela não ter um sorriso? Voltei a me encolher e a encolher tal questão.
O que aconteceu ao teu sorriso? Porque semblante tão pesado durante todos os dias que vives? A vida é curta, e se não a levarmos com um sorriso nos lábios torna-se uma experiência efémera sem razões para querermos continuar.